Polícia de MT apura se depressão está ligada à morte de advogada
Ariadne Wojcik, de 25 anos, sumiu depois postar mensagem em rede social.
Psiquiatra disse à polícia que jovem se recusou a tomar remédios indicados.
Ariadne postou mensagem em rede social denunciando assédio (Foto: Reprodução/Facebook)A advogada Ariadne Wojcik, de 25 anos, encontrada morta no Mirante de Chapada dos Guimarães, a 65 km de Cuiabá, tinha um quadro de depressão profunda. A informação foi obtida por um psiquiatra que atendeu a jovem e foi divulgada nesta quinta-feira (10) pela Polícia Civil de Mato Grosso. Ariadne desapareceu na quarta-feira (9) após fazer um post denunciando um professor por assédio durante um estágio em Brasília.
A principal tese da Polícia Civil, que abriu um inquérito e investiga o caso, é de que a advogada tenha se jogado de um ponto mais alto desse mirante e morrido na queda.
A polícia disse que vai apurar todas as informações e declarações feitas pela jovem na rede social. A investigação deve apurar se o quadro de depressão ou se o suposto assédio tenham contribuído para a morte da advogada.
A jovem, que morava há 15 dias com um tio em Cuiabá, chamou um táxi e pediu para ser levada para o ponto turístico em Chapada dos Guimarães. Os amigos e familiares não tiveram contato com ela durante o dia. Ariadne foi encontrada morta no início da noite na região do Mirante. A área é visitada por turistas e possibilita uma vista panorâmica de Cuiabá.
Ariadne foi nomeada na terça-feira (8) para uma vaga no gabinete de um desembargador no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e tomaria posse na quarta-feira. A Polícia Civil informou que localizou o corpo da advogada depois de identificar o taxista que a levou até o local.
Os policiais encontraram uma bolsa que pertencia a Ariadne, perto da área onde ela foi achada. Uma carta, com informações semelhantes à postagem que ela fez na rede social, foi encontrada. Um cartão de visita de um psiquiatra também estava na bolsa. O delegado responsável pelo inquérito, Diego Martimiano, declarou que fez contato telefônico com o psiquiatra.
O profissional informou ao delegado que Ariadne foi atendida por ele e que 'constatou que a jovem tinha um quadro de depressão profunda'. O psiquiatra contou ao delegado que receitou medicamentos de uso controlado para a jovem, porém, Ariadne havia recusado e não queria tomar os remédios.
O corpo da jovem deve passar por exames de necrópsia no Instituto Médico Legal (IML) de Chapada dos Guimarães. Não há informações sobre velório ou sepultamento. O taxista, o tio da jovem e pessoas próximas da advogada devem prestar depoimento à polícia a partir desta quinta-feira. O professor citado por ela nas mensagens também será ouvido, possivelmente por meio de carta precatória.
Postagem
Em uma rede social, a advogada denunciou um assédio sofrido quando estagiava em um escritório de advocacia em Brasília. No relato, ela conta que um professor passou a presenteá-la e encaminhar mensagens pessoais.
Em uma rede social, a advogada denunciou um assédio sofrido quando estagiava em um escritório de advocacia em Brasília. No relato, ela conta que um professor passou a presenteá-la e encaminhar mensagens pessoais.
“As coisas ficaram muito estranhas quando ele demonstrava que sabia todos os lugares onde eu ia, sabia o teor das minhas conversas, com quem eu falava, sabia as páginas que eu acessava no meu computador pessoal”, contou. Ainda segundo o relato da jovem, o professor passou a monitorar inclusive o horário em que ela chegava em casa.
No post, a jovem contou que decidiu deixar o emprego e se mudar para Cuiabá, cidade de origem dela. “Eu achava que aqui, em Cuiabá, no emprego novo, na vida nova, eu estaria a salvo da perseguição dele, mas ele nunca desiste, nunca. Eu estou exausta e não tenho mais forças para tentar me desvencilhar das artimanhas dessa mente doentiamente perversa e egocêntrica. Cheguei no fim da linha”, diz outro da mensagem.
Fonte:g1


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