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60 anos de Madonna: a Rainha do Pop mantém um reinado provocante e revolucionário

Em sua sexta década de vida, a Rainha do Pop continua discutindo política e apoiando movimentos sociais de minorias

(Foto: AFP)

Em sua carreira extensa, Madonna construiu uma influência na cultura pop difícil de ser repetida, de músicas a videoclipes. A cantora norte-americana hoje é ícone para novos artistas, servindo de referência para divas recentes, como Lady Gaga, M.I.A e Nicki Minaj. Completando 60 anos nesta quinta-feira, 16, a contribuição da artista para a sociedade conseguiu ir além dos produtos culturais. A expressão de sua sexualidade ficou marcada como um questionamento dos valores atribuídos a mulheres nos anos 1980.
Masturbação no palco, livro sobre sexo e críticas ao machismo e à religião são alguns dos momentos marcantes do caráter contraditório da personagem que Madonna criou para si. Em 1984, a performance de Like a Virgin na premiação da MTV “Video Music Awards” chamou atenção e foi considerada como o pontapé inicial para a carreira da cantora. No palco da televisão norte-americana, Madonna dançava sensualmente vestida de noiva e cantava sobre ser tocada pela primeira vez. 
Anos depois, em 1989, Madonna lançava o videoclipe da música Like a Prayercom referências à religião católica. Cenas da artista beijando um santo e de Jesus sendo interpretado por um ator negro escandalizaram parte da sociedade. Por outra parcela, Madonna foi aclamada e o single ficou em primeira posição nos rankings de música da época. O comportamento da cantora chegou a ser rechaçado pelo papa João Paulo II, que pediu o boicote de seu show na Itália.
Considerada um tabu até hoje, sendo pouco discutida, a masturbação feminina virou assunto com a performance de Like a Virgin na turnê Blond Ambition Tour. O documentário Truth or Dare (Verdade ou Desafio), de 1991, mostra que a equipe de Madonna foi avisada pela polícia de Toronto que ela seria presa se simulasse o ato no palco na noite de 29 de maio de 1990. Em resposta, a cantora falou: “Eu não vou mudar a porra do meu show”. Ninguém foi preso.
Além de incomodar falando sobre a sexualidade feminina abertamente, a Rainha do Pop buscou na cena underground de Nova Iorque as expressões da juventude negra e LGBT como referência para um dos maiores sucessos de sua carreira: Vogue. A dança originada nos bailes dos anos 1980 era inspirada nas poses de capas de revistas. 
No auge da epidemia de aids e preconceito contra a sexualidade dos LGBTs, Madonna não se esquivava de levar esses assuntos ao grande público. Ela lançou o álbum Erotica em 1992, enquanto o mundo falava de sexo com repulsa e conservadorismo. Entretanto, as músicas desse trabalho não são somente sobre o ato sexual, tocando também em assuntos como sair do armário, término de relacionamentos e a partida de vítimas da epidemia do vírus.
Junto com o álbum de 92, Madonna lançou o livro SEX. São 128 páginas de poemas, textos e fotografias tiradas por Steven Meisel. Sadomasoquismo, sexo anal e homossexualidade foram temas dos ensaios. Além de partes relacionadas a sexo, o livro trazia reflexões sobre escravidão e relações de poder na sociedade. A cantora usou um pseudônimo chamado Mistress Dita. O lançamento marcou uma das épocas mais transgressoras da artista e hoje a obra é considerada importante para a arte feminista. 
Atualmente, Madonna não deixa de expressar suas opiniões políticas e apoiar movimentos sociais de minorias. Em 21 de janeiro de 2017, um dia após a posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, a artista discursou em uma marcha promovida por mulheres contra os ideais do político eleito. Ela falou que pensou em “explodir a Casa Branca”, mas acredita que isso não mudaria a realidade. Madonna pediu em seu discurso que todos escolhessem o amor e que as mulheres não aceitassem a “tirania”.

(Foto: AFP)
 
Os 60 anos da Rainha do Pop mostram uma vida dedicada à arte e ao questionamento de estruturas. Madonna consegue manter a relevância social mesmo com toda a pressão do modelo predisposto pela sociedade do que uma mulher sexagenária deve ser e como deve se comportar. Como ela apontou no seu discurso quando foi eleita Mulher do Ano em 2016, pela Billboard, as pessoas acreditam que “envelhecer é um pecado”. A cantora que mais vendeu em todos os tempos parece longe de parar atividades e seu trabalho segue cada vez mais atual.




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Fonte: opovo

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