Jean Wyllys diz que não vai assumir novo mandato na Câmara por causa de ameaças

ean Wyllys foi eleito pela primeira vez em 2010 Foto: Alex Ferreira/Câmara
O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) anunciou nesta quinta-feira que não assumirá o novo mandato para o qual foi eleito e que está fora do país, com medo de ameaças à própria vida que diz ter recebido nos últimos meses. A informação foi confirmada ao GLOBO pela assessoria do parlamentar. Jean estava na Câmara dos Deputados desde 2010 e foi reeleito pela terceira vez em outubro do ano passado. Desde o assassinato da vereadora Marielle Franco, de quem era colega de partido, ele só andava com carro blindado e estava sob escolta policial.
Através das redes sociais, o deputado disse que a decisão foi baseada em uma questão estratégica e deu a entender que pretende seguir atuando a favor das causas que já defende (ele é homossexual assumido e costuma lutar pelos direitos da população LGBT).
"Preservar a vida ameaçada é também uma estratégia da luta por dias melhores. Fizemos muito pelo bem comum. E faremos muito mais quando chegar o novo tempo, não importa que façamos por outros meios! Obrigado a todas e todos vocês, de todo coração. Axé!", escreveu Jean.
Quem deve assumir a cadeira de Jean na Câmara é alguém do próprio PSOL. O suplente é David Miranda, que é vereador do Rio de Janeiro desde 2017.
Em entrevista ao GLOBO em novembro, logo após o segundo turno das eleições, o deputado contou que passou a utilizar escolta policial para andar nas ruas por causa das ameaças que recebeu de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Wyllys fez oposição intensa ao presidente eleito e chegou a cuspir nele, em 2016, após discussão durante a votação do impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara.
SUPLENTE É VEREADOR DO RIO
Quem deve assumir a cadeira vaga no Congresso é o suplente, David Miranda (PSOL), que é vereador do Rio de Janeiro desde 2017.
Ao GLOBO, Miranda disse que se surpreendeu com a notícia. Ele não foi comunicado antecipadamente e soube do anúncio da renúncia através da imprensa. Ele disse ainda que considera simbólico o fato de que, a partir de fevereiro, ocupará a vaga de um homossexual assumido. Esse também é o caso dele, que é casado com outro homem há 11 anos e pai de duas crianças que foram adotadas pelo casal.
— Se acham que vão acabar com um LGBT, outro de nós vai assumir — diz
'NINGUÉM PODE AMEAÇAR DEPUTADO', DIZ RODRIGO MAIA
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (MDB), divulgou uma nota sobre a renúncia de Jean Wyllys. Para ele, ameaças aos parlamentares da Câmara não são aceitáveis e os autores não podem sair impunes.
"Lamento a decisão tomada pelo deputado Jean Wyllys. Como presidente da Casa, e seu colega na Câmara, mesmo estando em posições divergentes no campo das ideias, reconheço a importância do seu mandato. Nenhum parlamentar pode se sentir ameaçado, ninguém pode ameaçar um deputado federal e sentir-se impune", diz a nota.
Fonte:Com informações do Extra


Nenhum comentário
Deixe Seu Comentário. Sua Opinião é Muito Importante